Saúde Mental no Trabalho: Brasil bate recorde com mais de 546 mil afastamentos em 2025
O cenário da saúde mental dos trabalhadores brasileiros atingiu um patamar crítico. Em 2025, o Brasil registrou um recorde histórico: mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) foram concedidos devido a transtornos mentais. O número representa uma alta de 15% em relação ao ano anterior e acende um alerta sobre as condições de trabalho no país.
De acordo com dados exclusivos obtidos pelo g1, o levantamento abrange mais de 2 mil ocupações diferentes. No topo da lista das profissões com maior número de afastamentos estão:
Vendedor do comércio varejista
· Faxineiro
· Auxiliar de escritório
· Professor
· Enfermeiro
· Assistente administrativo
· Alimentador de linha de produção
Por que essas profissões são as mais afetadas?
Especialistas e órgãos como o Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam que o problema é estrutural. As funções mais atingidas compartilham características como:
Baixa autonomia: Pouca margem para o trabalhador organizar sua rotina ou aplicar suas habilidades.
Pressão por metas: Remuneração atrelada a resultados agressivos.
Sobrecarga e jornadas longas: Volume de trabalho excessivo sem a devida reposição de pessoal.
Insegurança: Contratos precários e o constante medo do desemprego.
Exposição a riscos: Profissionais como motoristas e vigilantes sofrem ainda com o impacto da violência urbana.
Os principais diagnósticos
A ansiedade lidera as causas de afastamento (166.489 casos), seguida pela depressão (126.608). Outros transtornos como bipolaridade, estresse grave e dependência química também apresentaram alta em 2025.
O impacto econômico e social
O custo dessas licenças é bilionário: em 2025, o impacto chegou a quase R$ 4 bilhões. As mulheres são as mais afetadas, representando 63% dos afastamentos, muitas vezes devido à dupla jornada e à desigualdade salarial.
Mudanças na legislação
Diante da crise, o governo federal planeja atualizar a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para incluir riscos psicossociais. A medida, que permitiria fiscalizar e multar empresas por metas abusivas e assédio moral, foi adiada após pressão de setores patronais e tem previsão de entrar em vigor em maio de 2026.
